Antônia Leão - Tracunhaem

Antônia Leão - Tracunhaem

Antônia Leão - Tracunhaem

Em 1914 nasce Antônia Bezerra Leão em Tracunhaém, no Estado de Pernambuco. Aos dez anos, faz bichinhos de barro que o pai vende na feira de Carpina, PE. Casa-se aos 15 anos e vai morar em Goiana, PE, onde aprende a fazer barro com um frade, “”Seu Luís””. Desde então, cria imagens de santos, além de figuras de bichos e miniaturas de louça doméstica. As peças são modeladas com espátulas de alumínio, ferro e bambu e queimadas, após a seca. Não pinta nem decora suas produções onde os temas bíblicos são recorrentes.

“Tanto meu pai como minha mãe faziam louça… E eu fazia macaco, galo, soldado com fuzil e também uns frades – tantos frades que só vendo! Agora também faço Santo Antônio, São Francisco, Nossa Senhora com Cristo morto nos braços… Isso tudo, aliás, é meio de vida. Não é santo, não, que santo não se faz. Bicho eu estou deixando mais. O único que ainda gosto de fazer é o macaco.”
A artesã Antonia Leão nasceu em 1914 em Tracunhaém – PE, mas passou a maior parte da sua vida em Goiana, também Pernambuco. Hoje falecida, é referência da geração mais antiga e desenvolveu sua arte dedicando-se à temática imaginária. Junto com seu pai chegou a produzir representações de animais, mas destacou-se nas imagens religiosas, todos em argila crua.
Entre as esculturas executadas por Antônia Leão, encontra-se a Santa Luzia, atualmente em exposição no Museu do Homem do Nordeste na exposição Nordestes: Territórios plurais, culturais e direitos coletivos .Santa Luzia, natural da Itália e conhecida como protetora dos olhos, janela da alma e canal de luz, até hoje é muito amada e invocada por seus fiéis.
Em 1965, a escultura da Santa Luzia entrou no Museu de Antropologia através da compras de peças de cerâmica destinada a Pesquisa sobre Cerâmica Popular, realizada na Zona da Mata e Agreste de Pernambuco, pelo então Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais – IJNPS. Em 1975, outra peça semelhante, com mesma representação de Santa Luzia e também da ceramista Antônia Leão, foi adquirida pelo Museu de Arte Popular. Após isso, em 1979, as duas obras foram incorporadas ao presente acervo do Museu do Homem do Nordeste – MUHNE.

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