Roberto Botelho
Roberto Botelho


Roberto Botelho nasceu em 1953. Na década de 1960, iniciou sua trajetória nas artes visuais de forma autodidata. Começou a investigar as técnicas do desenho quando ingressou no ateliê livre da Escola de Belas-Artes do Recife. Com mais de cinquenta anos de uma história dedicada à pintura, sua obra tem forte influência de movimentos como o Construtivismo, o Surrealismo e o Expressionismo Abstrato.
Exposições individuais:
1975 Museu de Arte Contemporânea – Olinda – PE – Desenhos em preto e banco – Bico de pena
1996 Galeria Pallon – Recife – PE – Marinas e Favelas – Acrílico s/ tela
1998 Galeria Pallon – Recife – PE – URBES – Acrílico s/ tela
Salões:
1974 Salão das Madonas – Museu de Arte Contemporânea – PE – I Salão de Arte Global – Museu de Arte Contemporânea – PE
1975 Salão das Madonas – II Salão de Arte Global – Casa da Cultuta – PE
1976 XXIX Salão Oficial de Arte – Museu do Estado
1977 XXX Salão Oficial de Arte – Museu de Arte Contemporânea (1º Prêmio – Desenho – PE)~
Outros:
1973 Atelier livre – Escola de Belas Artes – Recife
1974 Curso de Introdução às Artes com Frederico de Moraes
1976 Lançamento de Serigrafias
Exposições coletivas:
1973 Natalina – Museu de Arte Contemporânea – Olinda – PE
1974 Natalina – Museu de Arte Contemporânea – Olinda – PE
Exposição A Fonte – Salvador – BA
1974 Desenhos – Museu de Arte Contemporânea – Olinda – PE (sob o prisma do desenho contemporâneo em Pernambuco)
Exposição Fortaleza – CE
1976 Galeria Abelardo Rodrigues – Recife – PE
Artistas Pernambucanos na Georgia (USA)
1977 Galeria Abelardo Rodrigues – Recife – PE
Artistas Pernambucanos em Brasília – DF
Centro de Artes da UFPE – PE
Abilare Galeria de arte
1978 Galeria Fundarpe Macunaíma – Rio – RJ – Desenhos e Pinturas – Mabel Solon e Roberto Botelho
2006 Centro Cultural BANDEPE – Recife – PE – Exposição Natalina
Senado Federal – Brasília – DF – Artistas Brasileiros 2006
2007 Galeria Segundo Jardim – Recife – PE – Exposição 100 Anos de Frevo
TERRA LUMINOSA
Desde os pré-impressionistas James McNeill Whistler e William Turner (dois pintores trabalhando numa Inglaterra refratada pelos prismas do fog), que os artistas apoiados na viga mestra da Cor inscrevem-se numa categoria dependente do saber ver antes do mais com os olhos da imaginação.
Através do americano radicado próximo das fumaças do Tâmisa o autor de “harmonias cromáticas” já conscientes do caminho do abstrato e com o outro, o inglês da gema (a usar tinta em aguada para incendiar manhãs e tardes), a arte estava antecipando uma nova realidade, assim como os renascentistas haviam avançado um passo da perspectiva dos antigos afrescos sobre paredes cuidadosamente preparadas como têmperas à base de clara de ovo etc. Um mundo prismaticamente renovado se dava a revelar nas bem-sucedidas experiências de ambos, em torno dos temas do cais londrino ou do olho da tempestade sobre o mar encapelado.
Porque a Cor pensem assim, no singular, para ficar no cerne da questão pictórica se tornava, então, um assunto em si mesma, como ilusão ainda mais forte dentro da paleta do diamante mental que recebe as impressões ópticas (assim, com “p” de pintura).
Feito este intróito, é hora de dizer que Roberto Botelho é um contemporâneo singrando na mesma água, pois comunga com os pintores capazes da reinvenção de todos os matizes (Mondrian, Pollock, Vasarely e outros), na festa viva de cores que, a partir das fundamentais, também subdivide em tons debaixo da Luz o assunto dos assuntos.
Esse artista está atingindo um domínio invejável do seu métier de construtor rigoroso e investigador das percepções da retina longe da sombra, para efeito pictórico que Botelho reticula ou redimensiona sobre o branco da preparada superfície de quadros geralmente largos, grandes, meticulosos e plenos de um vigor onde transparece também as suas admirações brasileiras (Siron Franco e Tomie Otahke, entre elas).
Roberto é um re-inventor. Ele re-instaura o universo que a cor sugere por trás das formas vulgares do visível, como se fosse um físico perseguindo a estrutura matemática das coisas, o reinado pitagórico do Número (subjacente no caos que se “organiza” à medida que penetramos no universo das partículas etc).
ONZE VEZES ONZE
Há onze anos, também num texto de catálogo de exposição (na qual Roberto exibiu marinas e favelas esquartejadas de luz, na Galeria Pallon), eu tive o prazer de anunciar que estava nas mãos de Botelho a possibilidade de chegar às sínteses admiráveis que ele agora exibe nos onze quadros desta mostra.
Acrescento, agora, que esse time de trabalhos de todas as cores talvez seja apenas uma amostra, ainda, do que o artista poderá alcançar mais adiante, mergulhado no vermelho do sangue, no azul do céu sem mácula e no verde do mar que dilata o arco-íris, desde o amarelo da alucinação de Van Gogh ao branco da obsessão de Malevitch. Nos quadros de hoje, a segurança conquistada faz Roberto caminhar por várias estradas pictóricas, tão diversas de influências refratadas desde a jovem inquietação de um Basquiat até a herança local de um Vicente plantando a flor do modernismo no solo de gesso da arte da Academia sacudida pelo Salão dos Independentes e, depois, pela Escola de Paris coincidente com as descobertas nordestinas de Rego Monteiro (arte indígena, rupestre etc).
Sabendo ver, está tudo mais ou menos aqui, codificado neste solo do abstracionismo geométrico que parece distante da “figura” tomada no rigor da palavra dos dicionários de arte (faltosos de informar: tudo é abstração).
Por paradoxal que pareça, assim devemos encarar um nu visto de muito perto ou um landscape firmado à base de um quilo de verde (“mais verde do que meio quilo”, segundo Gauguin). Na outra ponta, cabe enxergar uma multidão de formas alusivas ao real, nas linhas tracejadas pelas cores herdeiras também de Cícero, pernambucano de Escada. Roberto Botelho o admira, mas modestamente sobe por outros degraus, em busca de alumbramentos e visões ainda mais esquartejadas. Está, digamos, a apertá-las quase ao máximo, na tentativa de obter resultados que exigem a sofisticação do olhar, meus caros. Porque não adianta estar diante de todas as cores ainda pensando em como era gostoso o meu (quase) francês Dias, antecipador de tais liberdades cá na província. Ora, também as paletas de Reynaldo e de Brennand estão presentes nestes trabalhos ainda que organizadas segundo outra linguagem.
Por fim, quero apor uma interrogação à palavra “abstracionismo” (?), retirada do dicionário de capa manchada de tinta do ateliê de Roberto Botelho no bucólico bairro de Apipucos, onde seus quadros interrogam a paisagem. O abstrato, ele existe? Há algo assim, sobre a face da terra luminosa? Para mim, tudo é figura mesmo numa tela onde um branco “imaterial” apenas navegue no rumo de uma mente aberta. Esta, só precisa estar preparada. Através dos olhos ensinam estes quadros há um mundo atrás do outro para se ver com o aparelho ótico da imaginação e a ajuda eventual dos pintores que trabalham, como Roberto, com todas as cores em busca da Cor (assim, no singular que já aprenderam).
Fernando Monteiro
Mostrando todos os 2 resultados