Livro “O GRUPO DOS INDEPENDENTES” – por Nise de Souza Rodrigues


O Grupo dos Independentes é um ensaio sobre a Arte Pernambucana do Recife na década de trinta, sob forte influência francesa. Os caminhos percorridos pelos Independentes foram norteados pelos precursores (Vicente do Rego Monteiro, Cícero Dias e Lula Cardoso Ayres), numa ação coletiva marcando uma ruptura com a arte tradicional.
A cidade do Recife tradicional e romântica sediou os primeiros Salões de Arte Moderna (I e II Salões dos Independentes), integrando-se ao grupo fundador da Escola de Belas Artes. Os Independentes obtiveram apoio de industriais locais (Grupo Othon Bezerra de Mello) e, paradoxalmente também do Interventor de Pernambuco Carlos de Lima Cavalcanti, num Brasil presidido por Getúlio Vargas.

Os Independentes Augusto Rodrigues, Bibiano Silva, Carlos de Hollanda, Danilo Ramires, Elezier Xavier, Francisco Lauria, Hélio Feijó, Luiz Soares, Manoel Bandeira, Nestor Silva e Percy Lau, desenhando nos jornais, organizando e participando de exposições particulares de pintura – Salões dos Independentes, Congresso Afro-Brasileiro, Sociedade de Arte Moderna (retrospectivas), e, em São Paulo (Tradição e Ruptura) – , deixaram, como patrimônio cultural para a humanidade, o papel renovador do Recife na atualização da arte brasileira. Dessa atualização, frutificariam as escolinhas de arte e educação, num processo que provaria a genialidade desses artistas sábios, confirmada por uma realidade de êxito. A arte pernambucana moderna do Recife foi, assim, o reflexo da sua cidade, das relações sociais do seu povo, da sua cultura e, principalmente, da importância da metrópole que emergia como um dos maiores centros culturais da época. Testemunha participante dessa história, Elezier Xavier, o mestre documentalista, o grande artista modernista do grupo dos Independentes fez ver a autora um Recife que, mesmo sob forte influência francesa, não esqueceria suas maneiras de ser, de pensar e de saber.

 I.S.B.N: 978-85-908474-0-3

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Satyro

SATYRO DE MELO MARQUES

Assina: Satyro n Maceió, AL, 1935.

PINTOR E DESENHISTA

                De formação autodidata, iniciou seus estudos de desenho e de pintura no seu Estado natal. Fez curso de aplicação de cores no Rio de Janeiro, onde permaneceu por dois anos. No Recife, em 1972, com o apoio do cronista José de Souza Alencar (Alex) realiza a sua primeira individual na Galeria Firenze. Antes de se fixar definitivamente no Rio de Janeiro em 1976, realizou exposições em Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará.

                Walmir Ayala no livro Dicionário de Pintores Brasileiros registrou: “A concentração, disciplina e tenacidade de Satyro Marques, pintor alagoano residente no Rio de Janeiro, ressaltam a qualidade cada vez mais evidente de seus trabalhos, nos quais o refinamento e a transfiguração convivem em perfeito equilíbrio. Apesar da sabedoria com que fixa manchas e transparências, a habilidade com que cria dimensões espaciais de um caráter onírico não distancia este pintor do magnetismo da figura. Esta fatalidade conta ainda como dada de interesse e propriedade, num momento em que mesmo pintores abstracionistas de renome, como Manabu Mabe, tentaram ou tentam uma reaproximação com formas codificadas dentro do plano das imagens figurativas. Satyro nunca se afastou desta referência, construindo sobre a sutil revelação de seus grupos de animais ou pessoas a atmosfera mágica que é o forte de seu testemunho. Ao avançar para uma série unitária dos chamados rituais, ele desenvolve situações de amorosa luta, ou combativo amor, nas quais os personagens permanecem envolvidos numa trama luminosa, forjando um instante exaltado e dionisíaco”. (…)

                O crítico Mário Margutti na análise do trabalho do artista diz que: “… Observando-se atentamente as temáticas preferidas pelo artista, pode-se notar uma rica travessia do regional ao universal. De um lado, as suas raízes brasileiras: rituais de candomblé, bumba-meu-boi, cangaceiros, garimpeiros de Serra Pelada, trabalhadores subterrâneos das Minas Gerais e cenas esportivas. Do outro lado, o mergulho apaixonado na dimensão dos mitos, das lendas e dos arquétipos: Cavaleiros do Apocalipse. Amazonas, pássaros simbólicos em plena metamorfose, guerreiros, peregrinos trilhando misteriosas paisagens. Todas as suas pinturas, apesar da forte presença do abstracionismo, nascem de estudos prévios através do desenho… O artista reconhece que, no campo exclusivo do desenho, a dinâmica gestual vai para um segundo plano. Mas como não admite o desenho convencional, muito definido, o artista acrescenta nos trabalhos a força rítmica das abstrações, abrindo caminho para maior liberdade das formas e da sua rica imaginação”.

                Já na observação de Geraldo Edson de Andrade, da Associação Brasileira de Críticos de Arte: “Satyro Marques não se filia a nenhuma das correntes em voga na pintura brasileira contemporânea, nem tampouco está imbuído de inovações estéticas revolucionárias, objetivando atrair as atenções da crítica especializada… Pintor com obra personalíssima, ele tem se mantido, no decorrer de sua carreira, numa posição discreta, porém reconhecida pelo público, com quem mantém grande empatia. Fiel a figuração, expande-se tematicamente nas aglomerações humanas naqueles instantes do movimento, jamais na imobilidade do gesto puro e simples. Dessa maneira, jogadores de pólo, lanceiros, saltadores de obstáculos, tanto quanto garimpeiros e personagens ligados aos cultos afro-brasileiros convivem nas suas telas. Sua pintura reflete um refinamento criativo que é uma de suas qualidades como artista”.

Romero de Andrade Lima

ROMERO DE ANDRADE LIMA

Assina: Romero de Andrade Lima 4 Recife, PE, 1957.

PINTOR, AUTOR DE PEÇAS TEATRAIS, CENÓGRAFO E FIGURINISTA.

Romero de Andrade Lima é um artista múltiplo. A desenvoltura do seu sucesso prende-se ao êxito obtido através de suas pinturas, cenários, peças teatrais e figurinos. Em 1993, a mostra que apresentou ao público em seu atelier no Poço da Panela nasceu em função de algumas molduras antigas que comprou em uma feira de antiguidades em São Paulo. E, como disse Kethuly Góes em sua reportagem, (…) “ele se rendeu ao charme das peças e decidiu pintar, para cada uma, um quadro que lhe completasse”. Romero fez renascer paisagens e personagens através de vinte e duas pinturas e duas esculturas recriadas dos textos do escritor francês Marcel Schwob.

Em Romero há uma predominância nostálgica na produção de suas obras. Em cada exposição realizada ele evoca e transporta para a pintura imagens de textos de grandes escritores, além de reminiscências da sua própria adolescência. E como escreveu a jornalista Lydia Barros: “A busca de uma linguagem nova: ingênua e rebuscada, antiga e contemporânea, é que move Romero de Andrade Lima no sentido maior de sua arte: literatura, teatro e artes plásticas. Não é outra senão essa motivação que o leva à Escola Teatro Brincantes – espaço alternativo dele e do ator Antônio Carlos Nóbrega, em São Paulo – onde exercita a cenografia, direção, pintura. No rumo de um trabalho cada vez mais universal, com a preocupação (quem sabe) de se integrar a uma corrente mundial: uma idéia plural”. Em 1993 expõe na Galeria Estúdio A painéis com 200 por 60 centímetros cada sobre o retrato de Ana Pedra Nova.

 

Chalita

PIERRE GABRIEL NAJM CHALITA

Assina: CHALITA 4Maceió, AL, 30/01/1930.


PINTOR
, DECORADOR, ARQUITETO E PROFESSOR.

                Diplomado pela Faculdade Nacional de Arquitetura da antiga Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, onde terminou o curso iniciado em 1950, na Escola de Belas Artes da Universidade do Recife.  Foi professor nessa mesma Escola, de Técnicas de Composição Artística no curso de professorado do Desenho.

                No início de sua carreira, a par de revelar gosto pela pintura, estudou técnica de piano, tornando-se intérprete de Bach, Chopin e Schumann.

                Estudante de arquitetura na Escola de Belas Artes do Recife recebeu o apoio do pintor Murilo La Greca, que o influenciou no sentimento da forma e da cor.  Ainda estudante de arquitetura e já no Rio de Janeiro, pintou num velho deposito do prédio da Reitoria da então Universidade do Brasil, o quadro “Mulher de Baalbeck”, que despertou o interesse do Reitor, enviando-o por seis meses à Madri, por intermédio do Instituto de Cultura Hispânica.  Chalita então levou para a Espanha a sua série de pinturas “Baile do Teatro João Caetano”, cuja exibição não pôde ser feita. Tentando pela segunda vez expor essa série nas “Cuevas de Cezano”, por ocasião do concurso literário anual promovido pelo proprietário, esta mostra mais uma vez foi impraticável, visto que o concurso havia atraido ao local considerável número de pessoas.  Ainda na Espanha, sob impressões adquiridas na sua visita ao Museu do Prado, pintou a “Crucificação”, óleo sobre tela de 3 x 2 metros, que enviou para a Exposição de Arte e Cultura sul-americana, realizada no Colégio Nossa Senhora de Guadalupe.  Não se fez, porém, sua apresentação.

                Depois de estudar sob a orientação do pintor Valverde, da Academia Real de Santiago, transferiu-se para Paris, onde, em 1958, estudou na Escola de Belas Artes sob a orientação de Chapelain-Mydi.  Em 1959, foi contratado como decorador-chefe do filme de longa-metragem “Un jour comme les autres”, de Paul Bordry e, em 1960, do filme “Les mines orienteaux et occidentaux”, de Jean Doat e Bordry, para a UNESCO.  Ainda em Paris, realizou exposição na Galeria Nord, inaugurada pelo Embaixador André-François Pancel, da Academia Francesa e presidente da Cruz Vermelha da França. Em 1961, realizou exposição em Beirut, no Líbano e fez uma palestra sobre a arte em geral e arquitetura no Brasil, através da televisão francesa.

                Chalita volta ao Brasil em 1962, assumindo a Cadeira de Composição de Pintura na Escola de Belas Artes da Universidade do Recife, passando depois, a reger a Cadeira de Técnica do Curso de Professorado de Desenho da mesma Escola. Apesar de morar em Macei’/Alagoas, manteve por longo período um atelier na Rua Camboa do Carmo, em Recife, onde ministrou aulas de pintura para muitos alunos, entre os quais, hoje alguns participantes ativos e de destaque no cenário das artes plásticas.

                 Jean Labathe publica em Paris no La Depeche du Midi, em 1958: “O pintor, de grande sensibilidade, não busca o escândalo. Quis somente exprimir o que viu, tanto o chocou, e de que conserva cruel recordação. Seus quadros se caracterizam pela espontaneidade e sinceridade. São realistas, mas com tendência Expressionista. Chalita é um trágico”.                José Roberto Teixeira Leite, escreveu em 1969: “Há nele alguma coisa de um romântico e muito de um barroco, pertencendo o nosso artista aquela nobre estirpe a que se filiaram entre tantos Rubens e Delacroix. Sua execução é rápida e nervosa limitando o artista a um mínimo possível seus meios materiais, tanto assim que joga com duas ou três cores somente, criando todo um mundo de nuanças, e utiliza o suporte em branco como valioso elemento cromático. Não sem motivo interessou-se ele no inicio da carreira, pela música, e não sem razão já foi dito que toda a arte aspira a condição da música”.

                Ruy Sampaio escreveu: “Desde os seus começos, o trabalho desse alagoano é dividido em duas séries: O BAILE e O PARAÍSO. Na primeira, temos uma determinada categoria de indivíduos retratada na tortura de duas verdades existenciais em choque com as meias verdades do Estabelecido. Na segunda temos questionado esse ordenamento de conceitos passados em julgado, que uma civilização, por inércia, sancionou como valores”. 

               “No Baile, em princípio, os tons são quentes, há a elétrica vibração de um phatos acentuada pela composição diagonal e a larga pincelada dos barrocos; aí é forte, nas fisionomias, como nos fundos enigmáticos, a presença do expressionismo. No Paraíso, de maneira geral, estão os verdes, os violetas, os azuis, tons frios de uma pureza inútil, de uma harmonia estéril, de uma bem-aventurança estereotipada em que anjos com asas de morcego se acotovelam com curas de batinas e chapelões vieux jeu; trata-se de uma série de inegável estilo satírico, onde a ironia põe requebros na Respeitabilidade, traveste a Beatitude, maquia a Ordem e faz falar em falsete a Hierarquia”.

                “Em termos ontológicos a primeira série é um registro do drama do homem enquanto circunstância pessoal; na segunda esse registro questiona os valores do espaço cultural em que essa tragédia se move. É altamente enriquecedor esse processo, na medida em que, de uma a outra série, o artista contextualiza seus personagens numa problemática que os transcende enquanto visão meramente individual e os coloca diante das propostas, das perplexidades, dos impasses do nosso tempo. Nesse sentido é importante notar que há, no mínimo, uma simplificação (e todos sabemos quanto são elas perigosas em estética) na corrente que pretende para a obra de Chalita uma simbologia ao nível da simples crônica das minorias eróticas. Creio, pelo contrário, que, nesse trabalho, fiel aos mesmos motivos temáticos há mais de 20 anos, essas minorias mais servem do que são. Ao advogar para elas posição de pura referência fabular, eu diria, por exemplo, que Pierre utiliza sodomitas como Hitchcock utilizou pássaros. Aliás essa será talvez a maior qualidade de sua obra: exigir nossas capacidades de analogia e mimese”. (…) 

               “Denso e tenso no seu exercício de ironia e indagação, ele conduz, como um meneur circense, a maneira de Fellini, os personagens de sua saga sem heróis, camuflada em burlesco ou em provinciana crônica de costumes, mas na verdade, portadora de uma carga de contestação muito mais poderosa que essas descomprometidas aparências.  Saga menos que da facilidade dos adjetivos, merecedora de discussões e repensagens”.PRINCIPAIS EXPOSIÇÕES: 1954: ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES, RIO DE JANEIRO (RJ) 1961: BEIRUT, (LÍBANO) 1962: TEATRO SANTA ISABEL, ESCOLA DE BELAS ARTES e GALERIA DO ROSÁRIO, em RECIFE (PE); GALERIA DA RIBEIRA, OLINDA (PE); TEATRO DEODORO DA FONSECA, MACEIÓ (AL); GALERIA QUIRINO, SALVADOR (BA) 1967: TEATRO POPULAR DO NORDESTE, RECIFE (PE) 1968: MIRANTE DAS ARTES, SÃO PAULO (SP) 1969:  GALERIA CONTEMPORÂNEA, RECIFE (PE); GALERIA OCA, RIO DE JANEIRO (RJ) 1970: FUNDAÇÃO ALVARES PENTEADO, “RETROSPECTIVA” e GALERIA PORTAL, SÃO PAULO (SP) 1971: MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE PERNAMBUCO, OLINDA (PE); GALERIA IPANEMA, RIO DE JANEIRO (RJ); BRASÍLIA (DF) 1972: SUCATA DECORAÇÕES, RECIFE (PE); GALERIA RECANTO DO OURO PRETO, FORTALEZA (CE) 1973: MUSEU DE ARTE SACRA, SALVADOR (BA); ESCOLA DE ARTE DA UFPE, RECIFE (PE); FUNDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO, NATAL (RN); GALERIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAIBA, JOÃO PESSOA (PB) 1974: MUSEU NACIONAL DE BELAS ARTES, RIO DE JANEIRO (RJ) 1975: MAC/PE, “I SALÃO DE NUS ARTÍSTICOS”, OLINDA (PE) 1976: RODRIGUES GALERIA DE ARTES, “INAUGURAÇÃO”, RECIFE (PE); GALERIA SETA, SÃO PAULO (SP) 1977: MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA DO PARANÁ, CURITIBA (PR) 1978: RANULPHO GALERIA DE ARTE e RODRIGUES GALERIA DE ARTES, “ACRÍLICOS”, RECIFE (PE) 1979: RODRIGUES GALERIA DE ARTES, “30 ANOS DE CHALITA”, RECIFE (PE) 1983: GALERIA DE ARTE DA CASA DO BRASIL (EMBAIXADA DO BRASIL), ROMA (ITÁLIA); GALERIA HONTAKT-ZENTRUM, VIENA (ÁUSTRIA); CASA DO BRASIL, MADRI (ESPANHA); EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DA PAZ, ASSIS (ITÁLIA) 1985: GALERIA GAMELA, JOÃO PESSOA (PB); FUNDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO, NATAL (RN); GALERIA METROPOLITANA ALOISIO MAGALHÃES, RECIFE (PE) 1988: GALERIA CEZANNE, “O TRANSEXPRESSIONISMO DE CHALITA”, RECIFE (PE); FUNDAÇÃO ESPAÇO CULTURAL DA PARAIBA, “RETROSPECTIVA”, JOÃO PESSOA (PB) 1989: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, MACEIÓ (AL); PINACOTECA DE SÃO PAULO, “SURREALISTAS BRASILEIROS”, SÃO PAULO (SP); GALERIA PORTOFOLIO, BRASÍLIA (DF) 1990: GALERIA BETTY BARRETO, SÃO PAULO (SP); CENTRO DE ESTUDOS BRASILEIROS, BUENOS AIRES (ARGENTINA) 1991: GALERIA PERFORMANCE, BRASÍLIA (DF).

PARTICIPAÇÕES: 1955: Conclui o curso de Arquitetura na FACULDADE NACIONAL DO RIO DE JANEIRO. 1957: Estuda com o mestre VALVERDE, na REAL ACADEMIA DE SÃO FERNANDO, Madri, Espanha. 1958: Trabalha em pintura na ESCOLA DE BELAS ARTES DE PARIS, sob a orientação de Chapelain-Mydi. 1959: Realiza a cenografia do filme “UN JOUR COMME LES AUTRES”,  longa-metragem de  PAUL BORDRY,  em Limoges e Paris. 1960: Realiza a cenografia do filme “LES MINES ORIENTEAUX ET OCCIDENTAUX”, de BORDRY e JEAN DOAT, em Paris. 1962: Volta ao Brasil como Professor Catedrático da ESCOLA DE BELAS ARTES da UFPE, em Recife/PE. 1968: Projeta e restaura o PALÁCIO DO BARÃO DE JARAGUÁ, em Maceió/AL. 1971: É nomeado presidente da SOCIEDADE DE CULTURA ARTÍSTICA, em Maceió/AL. 1972: Funda o MUSEU PIERRE CHALITA, Maceió/AL. 1973: Como arquiteto, restaura a ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA de Maceió/AL e foi autor do projeto de RESTAURAÇÃO DAS CIDADES HISTÓRICAS DE ALAGOAS. 1974: Arquiteto-restaurador do INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO ESTADO DE ALAGOAS e Recebe o título de Sócio-Benemérito do INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO ESTADO DE ALAGOAS. 1977: Ilustra o livro “PEQUENOS POEMAS EM PROSA”, de BAUDELAIRE, traduzido por AURÉLIO BUARQUE DE HOLANDA FERREIRA. 1978: Profere palestra sobre “ARTE IMPRESSIONISTA”, na Rodrigues Galeria de Artes, Recife/PE. 1979: Recebe a Comenda “Pedro Alvares Cabral” da SOCIEDADE GEOGRÁFICA DE SÃO PAULO/SP e é eleito presidente da ASSOCIAÇÃO DE CULTURA FRANCO-BRASILEIRA, em Maceió/AL. 1980: Preside o V Encontro de Trabalho no 1º ENCONTRO DE ARTISTAS PLÁSTICOS PROFISSIONAIS, Rio de Janeiro, Cria a FUNDAÇÃO PIERRE CHALITA, Maceió/AL, Pinta um retrato do Papa JOÃO PAULO II, para a Coleção do Museu do Vaticano, Itália. Expõe suas pinturas dos Monumentos Históricos e Artísticos de Alagoas, em São Paulo e Rio de Janeiro e Coordena a exposição “DEZ PINTORES DA FUNDAÇÃO PIERRE CHALITA”, no Museu do Estado de Pernambuco. 1982: É nomeado professor da UNIVERSIDADE FEDERAL, Maceió/AL e Ilustra o livro “ANTOLOGIA CONTISTAS ALAGOANOS”, editado por RICARDO RAMOS, São Paulo/SP. 1983: Representa o Brasil na EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DA PAZ, em Assis/Itália. 1986: A convite da UNIVERSIDADE DE ROMA, profere palestra sobre a ARQUITETURA BRASILEIRA, em Roma/Itália. 1987: Lança  nacionalmente o livro “UM ANJO NO GALINHEIRO”, ilustrado com suas pinturas e texto de MIGUEL JORGE, publicado pela Barlendis & Vertecchia Editores e inaugura o MUSEU DE ARTE da FUNDAÇÃO PIERRE CHALITA, em Maceió/AL.

BIBLIOGRAFIAS

Louzada, Júlio. Artes Plásticas Brasil. Júlio Louzada, São Paulo, v.3 e 5, p.259 e 235.Anuário Ernani de Arte. Léo Christiano Editorial, Rio de Janeiro, Edição 1984, p.52 e 259.Cavalcanti, Carlos. Dicionário Brasileiro de Artistas Plásticos. Inst.Nac.do Livro/MEC, Brasília, v.1, p.399.Ayala, Walmir. Dicionário de Pintores Brasileiros. Spala Editora, Rio de Janeiro, v.1, p.195. 

Obs: Dados Biográficos colhidos no Século XX.

Queralt Prat

ISIDRO QUERALT PRAT

Assina: QUERALT PRAT 4 Tarrasa (Barcelona), ESPANHA, 09/03/1921. Falecimento 2011.

PINTOR, DESENHISTA E PROFESSOR.

             Estudos de Arte na Escola Municipal de Artes e Ofícios da sua cidade natal. Diplomado pela Escola Superior de Belas Artes de Barcelona, cidade onde morava e onde frequentou durante muitos anos os ateliers de pintura e desenho do Real Círculo Artístico. Em 1963 foi contratado pela Universidade Federal de Pernambuco para lecionar na Escola de Belas Artes, onde ministrou as cadeiras de Pintura de Modelo Vivo e Composição de Pintura. Posteriormente lecionou Composição nos cursos de Desenho Industrial e Comunicação Visual e regeu o Atelier de Pintura III (pintura, modelo vivo e composição), ocupando ainda o cargo de diretor da Escola de Belas Artes e de chefe do Departamento de Teoria da Arte e Expressão Artística da UFPE. Fez viagens de estudo à França, Itália, Grécia, Bélgica, Holanda, Portugal e também em países da América Latina onde se incluem Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil, absorvendo conhecimentos sobre a Arte Colonial e as culturas Pré-incaicas. Participou de inúmeras comissões em concursos para cargos de professores.

             Como artista plástico realizou sua primeira exposição individual de pintura em Terrassa, sua cidade natal, seguida de várias outras nesta cidade e em Barcelona (Espanha).

             No Brasil, expôs em Recife, Olinda, São Paulo e Rio de Janeiro, participando também de coletivas no Brasil e no exterior.

             Os professores Regina Souza Lima e Oscar Uchôa são autores do livro “Queralt: 30 Anos de Ensino e Pintura“, lançado na Rodrigues Galeria de Artes no dia 05 de Abril de 1994, com a presença do artista.

             Pietro Maria Bardi, diretor do MASP, escreveu: “Isidro – isto é facílimo constatar – é um surrealista moderado, mais de uma verve pontilhada de idéias e de imaginação. Nada de ocasional e de equívoco, mas uma ideia diretriz de um modo de ver, construir e afirmar.  Artista de sólido preparo, e artista de clara personalidade.  Consegue ao mesmo tempo agradar, alegrar as paredes e convencer pela simplicidade de sua arte: possibilidade hoje não fáceis à encontrar nas Galerias.  Isto naturalmente, sem infirmar o labor dos pesquisadores do labirinto da nova bossa, do qual eu mesmo participo, porém as vezes encabulado por ver lá dentro tantos intrusos”.

             Vicente Masip, diretor do Centro Cultural Brasil-Espanha, fez o seguinte comentário sobre a doação que Queralt fez de quinze (15) quadros à óleo (A Via Sacra), para a Matriz de Iputinga, em 28/11/1990: “Isidro Queralt Prat dispensa apresentações. Espanhol de nascimento, catalão de Terrassa, é muito conhecido no meio artístico pernambucano. Como professor da Escola de Belas Artes e do Centro de Artes da UFPE, orientou toda uma plêiade de pintores, e descobriu grandes valores, que souberam absorver seu talento para o desenho, a pintura e a composição. A Via-Sacra de Queralt de quinze estações, segundo prescrição do Concílio Vaticano II, que acrescentou a ressurreição às quatorze tradicionais – é fruto do seu espírito religioso e da sua atração por desafios. Desde o momento em que concebeu a ideia, foi obrigado a enfrentar e resolver uma série de problemas antropológicos, históricos e teológicos, além dos plásticos e pictóricos” (…).

             Laerte Baldini, em 11/04/1972, escreveu: “O ‘mundo paranoico’ de Isidro Queralt Prat, tem sua origem na exploração do inconsciente, talvez, ou, quem sabe, no campo da endocrinologia. Mas o fato da sua concretização visual é sem dúvida obra da razão, clara, lúcida, pensada, tecnicamente sábia, realizada de acordo com normas aprendida ao longo de muitos anos. Qual o resultado do choque dessas duas componentes que parecem contraditórias? Reivindica uma arte que expressa o desejo do ‘estado em bruto’, do desassossego interior não refreado? A vontade lúcida, consciente de ir ‘além’ da realidade? Ou um romantismo incurável, debruçado sobre si mesmo em contemplação fatal, e que teimosamente espera contra toda a esperança”?

             Celso Marconi publicou no Jornal do Commercio de 18/05/1971: “(…) Sua pintura possui um clima surrealista, embora ele afirme que para chegar até “essas liberdades”, passou por um longo caminho de estudos e pesquisas.  Nas suas obras ele busca ironizar certos aspectos da vida, mais precisamente alguns sentimentos menos nobres”. (…)

             Baltazar da Câmara escreveu em 26 de outubro de 1967: “Dificilmente encontraremos, hoje, no âmbito figurativo, uma pintura que, mais do que esta se apresenta com discrição sem redundâncias formais e ênfase ideológica; Queralt Prat com a coerência indicadora de uma atitude que não admite dúvidas, ignora as fáceis manipulações, as estruturações epidérmicas, as técnicas mais ou menos ocultas de persuasão, que vemos largamente empregadas com uma oscilação ambígua entre a aceitação e a denúncia”. (…)

             Fernando Lience, crítico de arte espanhol, escreveu: “Sobre la doble temática por la que se mueve la jugosa pintura de Queralt Prat, hay um soplo de vida indiscutible. Su gran domínio del dibujo es otra de sua cualidades.”

Marcelo Peregrino

MARCELO PEREGRINO SAMICO

Assina: Marcelo Peregrino ou Peregrino 4Rio de Janeiro, RJ, 11/08/1964.

PINTOR E GRAVADOR

                A tendência de Marcelo para as Artes Plásticas originou-se na sua infância, através da convivência com o seu pai, o destacado artista Gilvan Samico.  Observar quotidianamente, no atelier, seu pai produzindo obras que se encontram hoje fazendo parte dos mais importantes acervos e coleções, levou-o ao entusiasmo de produzir com talento gravuras e pinturas, com temática voltada especialmente para as paisagens de Olinda.

                Guita Charifker escreveu: “Vi Marcelo começar a pintar. Penso que todo ser humano nasce criativo. Desenvolver esse potencial é uma questão de oportunidade, de vida. Marcelo teve essa oportunidade. nasceu dentro de um atelier. Seu pai o gravador Gilvan Samico e Célida, sua mãe, são artistas totalmente dedicados à arte”.

                “Da vivência de Marcelo com gravuras e pinturas, ao momento de passar a freqüentar um atelier ao ar livre, foi um longo aprendizado. Daí Marcelo começou a pintar com calma e com segurança surpreendentes”.

                “A sensibilidade é cultivada e o conhecimento é cumulativo. E Marcelo desenvolveu essa sensibilidade e acumulou conhecimentos. Sempre viveu cercado de arte. O desenho equilibrado e a aventura da cor foi uma curta e intensa experiência vivida por ele durante o atelier de campo, onde trabalhávamos juntos, ele, Samico, Célida e eu: Itamaracá, Vila Velha, arredores…  Marcelo é mais um jovem pernambucano a se juntar a nós, artistas que fazemos o nosso Estado ser respeitado e conhecido – a ascendente Escola Pernambucana, que, segundo José Cláudio, começou com os holandeses de Maurício de Nassau. Marcelo, viva “!

                Gil Vicente, em novembro de 1994, fez a seguinte crítica: (…) “Desenvolvendo seu trabalho, Marcelo tem forte atração pela imagem figurativa – representational, como dizem acertadamente os americanos, não limitando a denominação à figura e também escapando das confusões provocadas pelo termo ‘realista’. Com especial atenção para a paisagem, nos enquadramentos fechados ou em planos mais abertos, Marcelo vem revelando muita expressividade na interpretação do que observa ou imagina. A habilidade no artesanato da pintura lhe coloca mais perto do gesto e do impulso gráfico, sem desprezar o que merece detalhes, não havendo titubeios técnicos na execução dos quadros”.

                “As influências acontecem em Marcelo como no trabalho de todo artista jovem e sério: adquiridas na necessidade de referências, digeridas na dialética da assimilação e transformadas em aprendizado. E, com a bagagem e os recursos de que já dispõe, ele é justamente mais expressivo e intenso nos temas e trilhas pictóricas pessoais, criando atmosferas que atraem o espírito e oferecendo, já dentro da obra, densidade cromática, composições e ricos equilibrios de valores que conduzem com sensibilidade a fruição estética do espectador”.

Mario Nunes

MÁRIO LUNA DE CASTRO NUNES

Assina: MÁRIO NUNES 4Recife, PE, 27/10/1889 Recife, PE, 1982.

PINTOR

                Começou a pintar aos nove anos de idade. Nasceu no bairro de Casa Amarela, no Recife, fazendo seus estudos primários com a professora Maria Barbosa e o curso médio no Instituto Ayres Gama, onde fundou um jornal manuscrito intitulado A Paleta, do qual era ilustrador. Na pintura, teve como mestre o Pintor Telles Júnior. Era catedrático com tese sobre paisagem. Hoje, suas obras, são disputadas por colecionadores, principalmente de Pernambuco.

                Lucilo Varejão afirmou: “O que há de notar em Mário Nunes é que a sua obra não se parece com a de nenhum outro pintor aqui vivido. Nem na preferência dos assuntos, nem sequer na obstinação pessoal por certas tintas. A paixão de Telles pela Terra de Siena corresponde em Mário a exaltação pelos Cádmios e Vermelhão da China. (…) Olinda, com as suas igrejas e conventos centenários, seus sobradões do tempo dos Afonsinhos, suas casas de biqueira e seus decrépitos balcões de gosto hispano-árabe, constitui o seu imediato interesse de interpretação”.

                Em 1907, criou com um grupo de amigos o Grêmio Dramático Espinheirense e logo em seguida, iniciou-se na pintura de cenários para várias companhias teatrais, ao lado do pintor Álvaro Amorim. A cenografia das operetas “Amor de Príncipe”, “Mazurca Azul”, “Madrinha dos Cadetes” e “Aves de Arribação”, são alguns trabalhos de sua autoria.   Em 1919, participa do Salão Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro e três anos depois (1922), realiza no Recife sua primeira exposição individual, no Gabinete Português de Leitura. Em 1928, foi laureado com Medalha de Bronze no Salão Nacional de Belas Artes e dois anos depois (1930), com a Medalha de Prata conferida pelo Governo do Estado de Pernambuco com a obra “Igreja de São João – Olinda”, tela que pertence ao acervo do Palácio Campo das Princesas, no Recife. Foi professor da Escola Doméstica de Pernambuco, do Instituto Carneiro Leão do Recife e da Escola Normal Pinto Júnior. Foi contratado de 1930 a 1932 do Ginásio Pernambucano e em 1934, da Escola Normal Oficial de Pernambuco. Em 1932, junto com Álvaro Amorim e Balthazar da Câmara, monta um atelier no segundo andar da rua Joaquim Távora, 105, no bairro da Encruzilhada. Neste mesmo ano, no dia 29 de março reuniram-se neste atelier seus proprietários e Murillo La Greca, Henrique Elliot, Emílio Franzosi, Luiz Matheus, Heinrich Moser, Bibiano Silva e Georges Munier e fazem a abertura do livro de atas, fundando a Escola de Belas Artes de Pernambuco. Escolhem para diretor o escultor Bibiano Silva, para secretário o engenheiro Jayme Oliveira e para tesoureiro o pintor Balthazar da Câmara. Ocupou na referida escola a Cadeira de Paisagem durante 27 anos, até chegar à compulsória. Em 1942, é agraciado com o 2º Prêmio no I Salão de Pintura do Museu do Estado de Pernambuco. Em 1947, com 58 anos, viaja para a Europa junto com Balthazar da Câmara, onde pinta vários quadros. Gostou muito de Lisboa e ficou deslumbrado com Paris, onde visita o atelier de Cícero Dias. Além de freqüentar museus e exposições de pintura, trabalhou bastante, fixando algumas paisagens da capital francesa em suas telas. Até o final de sua vida, a recordação dessa fase de sua existência sempre o emocionou profundamente.

                Mário Nunes faleceu na sua cidade natal aos 93 anos de idade e, segundo a artista plástica Lúcia Uchoa de Oliveira; “o que fez de seus quadros, mágicos e coloridos momentos, foi o domínio que tinha sobre a cor e suas variações infinitas, expressando-se através de riquíssimas harmonias cromáticas”. No convite da sua última exposição retrospectiva, consta a seguinte mensagem; “O talento de Mário Nunes não envelheceu. Ele foi fiel a sua vocação: amou-a com paixão até a morte e fez dela o sentido de sua vida”.

Luciano Pinheiro

LUCIANO PINHEIRO

Assina: LUCIANO PINHEIRO 4Recife, PE, 17/09/1946.

DESENHISTA, GRAVADOR, PINTOR E ARQUITETO.

             Em 1966 fez parte da Oficina 154 (Cooperativa de Artes Plásticas Oficina 154), em Olinda, onde permaneceu até a extinção do grupo.  Em 1973, conclui o curso de Arquitetura, pela Universidade Federal de Pernambuco.  Em 1977, inicia seus contatos com a técnica litográfica por intermédio de João Câmara e, forma com outros artistas o Grupo Guaianases. No ano seguinte, incorpora-se ao grupo de fundadores da OFICINA GUAIANASES DE GRAVURA, onde ocupou a função de diretor-artístico até 1980.  Em 1982, funda a Brigada Portinari, juntamente com Cavani Rosas, Clériston, etc. e nesse mesmo ano, é convidado como expositor no II Simpósio Nacional de Artes Plásticas, Presença das Regiões, onde apresenta trabalho sobre o tema: Brigada Portinari, uma experiência coletiva de Arte e Política.  Em 1983, juntamente com Cavani Rosas, Petrônio Cunha, Antônio José do Amaral e Álvaro Vieira, fundam o Atelier Coletivo Aurora.  Em 1986, viaja para a Europa onde, em Paris, mora com a família por dois anos, participando do “Ateliers des Orteaux”, a convite de alguns amigos, trabalhando junto com vinte artistas de diversas nacionalidades.  Em fins de 1987 retorna ao Brasil e reassume seu atelier em Olinda, fundando em 1989 o Atelier Coletivo de Olinda, junto com Gilvan Samico, Guita Charifker, Eduardo Araújo, José Cláudio, Giuseppe Baccaro, José de Barros e Gil Vicente, fazendo no ano seguinte curso de xilogravura com Gilvan Samico.  Em 1991, é recusado no Salão Nacional de Artes Plásticas de Brasília, pelo Instituto Brasileiro de Arte e Cultura (Rio de Janeiro), que o convida, em 1992, para integrar a “Comissão de Seleção do Projeto Macunaína 1992″.  Nesse mesmo ano, participa do projeto “Fernando de Noronha – 3 Visões“, a convite da Companhia Editora de Pernambuco (CEPE) e a Fundação Vitae de São Paulo concede-lhe uma bolsa. Em 1993, participa da Comissão de Seleção do Projeto Macunaíma, no Instituto Brasileiro de Arte e Cultura IBAC, no Rio de Janeiro. Entre 1997/1999, integra o Colégio Eleitoral do Prêmio Multicultural Estadão, de São Paulo.

Luciano afirma; “ninguém deve esperar de mim inovações ou adesões as novas escolas ou tendências.  Nunca me preocupei com isso.  Já fui chamado de néo-expressionista, abstrato, figurativo e até neofauvista.  Meu trabalho, será como sempre, marcado apenas por fases ou descobertas pessoais”.

             Eduardo Bezerra Cavalcanti, em julho de 1983, escreveu: “Com o fascínio pela imagem pictórica expressiva, Luciano concretiza uma viagem no tempo. Tentativa de entender o destino humano numa dimensão existencial ampla: desde aspectos de sua origem remota, a percepções e sentimentos da realidade presente, e a previsão do futuro, e da morte, enquanto mistérios, incerteza, dualidade da própria vida. Retrospecção e prospecção. Procura da descoberta. Tentativa de discernir o sentido do nosso tempo. Cada situação registrada simbolicamente no quadro é um fragmento arqueológico do nosso tempo”. (…)

             Longo período dedicado ao desenho, depois às aquarelas, em 79 e 80 às primeiras pinturas, enquanto concluía uma série notável de litografias”. (…)

             Com o pintor, a perspectiva de uma temática mais abrangente coincide com o empenho de independência em relação a qualquer estilo institucionalizado da expressão artística”. (…)

             (…) “Encontramos em Luciano, um colorista sui generis.  Vale-se das cores puras ou prepara nuanças e luminosidades, combinações contrastantes, ora chapados lisos, fortes texturas, ora transparências, raspagens, tintas bem diluídas, superfícies ásperas “dando às vezes a impressão de um desgaste natural pelo tempo“.  Explora o gesto expressivo, gráfismos sobrepostos a regiões cromáticas previamente executadas, cria atmosferas de sonho, formas distorcidas, representações arcaizantes da figura humana, sugere ventanias, movimentos giratórios rompendo propositalmente as leis de equilíbrio e gravidade.  No entanto, apesar desta tendência crescente à abstração, Luciano permanece um pintor necessariamente figurativo. Mostra-se sensível a configurar liricamente formas-simbolos na estruturação de suas paisagens: formas embrionárias, seres em redomas, túneis, símbolos do aprisionamento, da viagem interior, da penetração, do in-sight, morros, seios, o primeiro contato com o mundo, a fecundação, paisagem fetal, precipitações, saltos de ou para um mundo além, pirâmides, cruzes, símbolos religiosos ambíguos, conflitantes, exorcismos, o milagre, a eternidade, formas, movimentos, ritmos, idéias, a terra, o ar, água, pedra, vácuo” (…).

             “Outras pinturas sugerem paisagens que podem ser continuadas em qualquer direção: ‘… São escavações mentais (…), tentativa de buscar para a arte o lado mágico e religioso que motivou a criação, desde o homem das cavernas até hoje’.  O ser humano navega no espaço (díptico, 1981) e Homem e conquista (políptico, 1982) deixam clara esta crença antiga, esta faculdade mágica do movimento contínuo do homem no universo.  ‘… O artista segue encontrando situações inesperadas, decifrando mistérios, sondando e brincando com a existência (…)’.  Tempo e espaço podem ser uma extensão infinita, como uma prospecção arqueológica, e o homem caminha também para o vazio, o vácuo, a morte. Seja isto decorrência do esquartejamento – da matéria dissolvendo-se em plena paisagem -, mas sempre mistério, travessia, passagem“.

Jobson Figueiredo

JOBSON FIGUEIREDO ALVES

Assina: JOBSON 4Barreiros, PE, 28/08/1948.

ESCULTOR, PINTOR E GRAVADOR.

                Apesar de haver nascido em Barreiros, passou quase toda a sua infância em Garanhuns onde entre 1963 e 1965, pinta, escrevendo ainda para o jornal O Monitor e dirigindo o programa “A Voz Acadêmica”, na Rádio Difusora do município.

                Em 1966, transfere-se para o Recife montando seu Atelier em Boa Viagem, onde além de se integrar nas artes plásticas, desenvolve trabalhos de Programação Visual, Fotografia e Mobiliário Urbano. Começa a escrever e desenhar para o Jornal do Commercio, passando em 1968 a assinar uma coluna semanal para o referido periódico. Integra a Agenda Poética do Recife – Antologia dos Novíssimos, organizada por Cyl Galindo.

                Em 1969, monta Atelier no bairro de Campo Grande/Recife e leciona desenho e talha no Centro de Arte Infanto-Juvenil, no Recife e ocupa o cargo de Assessor de Imprensa na Associação dos Artistas Plásticos de Pernambuco. 

                Em 1970, leciona talha e escultura no Setor de Praxiterapia do Hospital da Tamarineira e trabalha no mesmo setor do Instituto Jung, ambos em Recife.  Neste mesmo ano, participa do 1º Simpósio de Decoração de Interiores e Psicodinâmica das Cores e dedica-se a trabalhos de Programação Visual, produzindo logotipos, marcas e embalagens.

                Em 1971, desenvolve a execução de esculturas em madeira e realiza projetos de Mobiliários Urbanos para Morêda & Associados.

                Após o período acima assinalado, ou seja, na década de 70, Jobson dedica-se integralmente a um trabalho de pesquisa em materiais como pedra, madeira, metais e resinas, resultando daí a execução de uma série de esculturas adquiridas em seqüência constante pelo mercado de arte, alvo de elogio da crítica especializada.

                Hoje Jobson mantém um Ateliê no bairro Poço da Panela e uma fundição para execução de peças de sua autoria e de terceiros. Obras de grandes artistas como Brennand, Abelardo da Hora, entre outros, foram produzidas na sua fundição.

 

                Alberto Beuttemmuler escreveu em 1982, no catálogo do I Salão de Arte: “(…) A escultura de Jobson Figueiredo vem assumindo, com o passar do tempo, uma força extraordinária. Pesquisador de resinas as mais variadas, Jobson consegue efeitos, inclusive colorísticos, transmitindo não só o conhecimento artesanal, mas uma mensagem sensual que nos obriga a refletir sobre a proposta em vários níveis”.

                Maria do Carmo Arantes, em 14/04/82, publicou no Jornal Estado de Minas: “(…) seccionados em sua tridimensionalidade, surgem passagens e deslocamentos de seios, espáduas, pescoços, cabeças. Jobson vai radiografando o interior do corpo ao mesmo tempo em que joga a sua escultura de encontro ao lado lúdico de todo ser humano; o montar e desmontar peças deste complexo humano torna-se um questionamento instigante”.

Gil Vicente

GIL VICENTE VASCONCELOS DE OLIVEIRA

Assina: GIL VICENTE 4Recife, PE, 20/04/1958.

PINTOR, DESENHISTA E GRAVADOR.

                Aos 12 anos de idade Gil Vicente manifestou um vivo interesse pelo desenho e pela pintura, dedicando-se então às artes plásticas, num trabalho incessante de pesquisa, que vem até hoje. Tomou a arte como profissão, levando a sério e com objetividade tudo o que cria e produz, estando incluso entre os melhores artistas da região Norte-Nordeste. Pela qualidade do seu trabalho, a demanda às suas obras é superior a sua produção, uma vez que Gil não se apressa, esmerando em manter o padrão que já atravessa um longo período.

De 1972 a 1977 estudou as diversas técnicas de desenho, pintura e gravura com a professora Tereza Carmen Diniz e gravura em metal com José de Barros na Escolinha de Arte do Recife. De 1974 a 1977 estudou desenho e pintura de observação com Inaldo Medeiros e Lenira Regueira, recebendo orientação de Isidro Queralt Prat, na Escola de Artes da Universidade Federal de Pernambuco. Em 1975, recebeu do Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco o 1ºPrêmio, pelo trabalho apresentado no III Salão dos Novos. Em 1976, conclui e segundo grau escolar e, desde então, dedica-se exclusivamente às artes plásticas. Neste mesmo ano foi agraciado com o 3ºPrêmio de Pintura no XXIX Salão Oficial de Arte, do Museu do Estado de Pernambuco. Em 1977, o Museu do Estado de Pernambuco, outorgou-lhe o 1ºPrêmio de Pintura no XXX Salão Oficial de Arte. Em 1978, recebeu do Museu do Estado de Pernambuco, o Prêmio de Desenho, no XXXI Salão Oficial de Arte e participou da fundação da Oficina Guaianases de Gravura, em Olinda/PE. Em 1981, viaja à Paris, como bolsista do Governo Francês, fazendo estágio com o professor Yankel, na Escola de Belas Artes. No mesmo ano retorna ao Brasil, sendo distinguido com o Prêmio MEC/FUNARTE, pelo Museu do Estado de Pernambuco, no XXXIV Salão de Artes Plásticas, em Recife/ PE. Em 1984, dedicou-se a pintura de paisagens ao ar livre até 1986, junto com outros artistas pernambucanos. Em 1986, foi distinguido com o Prêmio Aquisitivo de Desenho, pela Fundação Romulo Maiorana, no Salão Arte Pará, em Belém/PA. Em 1988, participou da fundação do jornal Edição de Arte, tablóide mensal sobre artes plásticas, publicado e distribuído profissionalmente durante nove meses, em Recife/PE. Em 1989, a convite do Governo Americano, viajou aos Estados Unidos para conhecer Artistas, Museus, Galerias e Escolas de Arte. Passou a manter o Atelier Coletivo de Olinda, junto com José de Barros, Giuseppe Baccaro, Luciano Pinheiro, José Cláudio, Guita Charifker, Eduardo Araújo e Gilvan Samico, onde fez xilogravuras com orientação deste último, permanecendo até 1993. Em 1992, constrói seu atelier/residência.

                Luiz Antônio Marcuschi, em 1980, escreveu: “(…) GIL VICENTE dispensa apresentações e provas de competência. Artista contido, sóbrio e marcante, Gil se perfila e amadurece no prazer de prezar o cotidiano com certa melancolia espontânea, sem fantasmagorias. A “curtição” da pintura predomina sobre o intelecto; não se trata de um arlequim nem de um ideólogo de plantão. Tecnicamente maduro, surpreendente, seu texto é enxuto, despojado. Poucas cores nas telas a óleo, mais nos desenhos; um legítimo antípoda do presepeiro” (…).

                Jacob Klintowitz, em 1990, fez a seguinte crítica: (…) ”Acho que devo chamar a atenção para uma característica rara desta pintura: ela se remete, permanentemente no arquétipo da pintura. É uma pintura de matéria, densa, objetiva, direta, forte.  A sua matéria não pretende, de forma alguma, ser alguma coisa aposta sobre a pintura, não nos remete para a teoria, não fala da terra, do objeto, da terceira dimensão possível da bidimensionalidade. É uma pintura densa, como o sangue e a carne o podem ser.  Não a densidade do social e da conceituação, mas a da vida orgânica. Também ela é uma pintura direta, particular, uma pintura que não se esconde, que enfrenta imediatamente o seu assunto e que vai, de maneira reta e evidente, ao tema de que trata.  Uma pintura densa e direta impregnada de matéria. E é uma pintura objetiva. Ela se transforma imediatamente em sua própria existência, em realidade de si mesma, em um objeto de consideração. Ela tem a sua personalidade, a sua existência real. É desta condição que provém a sua força e ela reside nesta atitude direta, na capacidade de tornar-se objeto de si mesma. Na verdade, esta objetividade não nos remete para alguma coisa fora dela mesma, ela se coloca como suficiente para nos alimentar o espírito e faz com que observemos e retornemos a ela em todos os momentos.  Ela ocupa totalmente o horizonte. E a relação com esta pintura deve ser, em primeiro lugar, na minha opinião, deste tipo: uma resposta clara, direta, objetiva. À estas imagens, nós respondemos com uma atitude deste tipo. Contemplação, emoções e o toque sensorial” (…).

ACERVOS: MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE PERNAMBUCO, RECIFE 4 MUSEU DO ESTADO DE PERNAMBUCO, RECIFE 4 FUNDAÇÃO JOAQUIM NABUCO, RECIFE 4 CENTRO CULTURAL CÂNDIDO MENDES, RIO DE JANEIRO.

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