Fernando Lúcio

FERNANDO LÚCIO DE LIMA BARBOSA

Assina: FERNANDO LÚCIO 4Recife, PE, 05/05/1954.

PINTOR, DESENHISTA E PROFESSOR.

Estudou na Escola de Belas Artes de Pernambuco. Freqüentou os ateliês de Murillo La Greca, Mário Nunes, Pierre Chalita, Queralt Prat, Elezier Xavier, Lenira Regueira, Laerte Baldini e outros artistas marcantes nas artes plásticas de Pernambuco.  Fez cursos de Licenciatura em Educação Artística Plena em Artes Plásticas, Escultura, Museologia, Restauração e Conservação de Obras de Arte, Estética, Música, Crítica de Arte e Pós-Graduação em Artes Plásticas. É professor concursado do Centro de Artes e Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco. Autor e coordenador do Projeto Bibiano Silva, dirigindo o ateliê com o mesmo nome, na Casa da Cultura de Pernambuco (Fundarpe).

Na Europa, estudou as obras dos grandes mestres da pintura nos museus do Louvre, Prado, Sorolla, Vaticano, Victória and Albert Museum e Arte Moderna de Roma. No final do ano de 1996, viaja para Madri/ Espanha para realizar doutorado na Faculdade de Belas Artes da Universidade Complutense, freqüentando ainda o Círculo de Belas Artes na mesma cidade. Foi fundador do Sindicato dos Artistas Plásticos Profissionais de Pernambuco, ocupando a presidência. Tem cadastro no Ministério de Educação e Cultura (MEC), Museu Antônio Parreiras (MAP) e Museu de Arte de São Paulo (MASP). Está citado nos livros Artistas de Pernambuco (José Cláudio), Catálogo Pernambucano de Arte-1987 (Grupo X), Artes Plásticas Brasil nºs. 6 a 9 (Júlio Louzada) e Cadastro Arte Maior de Pernambuco I e II.

                Elezier Xavier, em 1978, afirmou: “A pintura traz sempre um pouco do autor, isto explica a pintura de Fernando Lúcio, com sua vivacidade e juventude ligadas a procura da arte pictórica. Há muito equilíbrio, muita luz na sua paisagem e um colorido que impressiona”. (…)

                Pierre Chalita, em 1978, fez-lhe a seguinte crítica: “Fernando Lúcio, uma juventude impressionada pelo realismo da injustiça social e pelo lirismo da paisagem nordestina. Inteligência aberta à tradição colonial, seus óleos filiam-se às aquarelas de Debret, no gosto pelo detalhe arquitetônico e pelo suave contraste das cores”.

                Isidro Queralt Prat, em 1979, escreveu: “Considero Fernando Lúcio um pintor nato, portanto, de grande potencialidade.  Isto fica revelado na maneira de ver a forma, na sensibilidade para sentir a cor e suas sutís relações, no conceito amplo da composição.  A seriedade com que enfrenta seu ofício, a preocupação pela plasticidade de sua obra, sem interferência extra-pictóricas e sua juventude, conseguirão extrair, ainda mais, grandes resultados desta sua potencialidade natural”.                     

                Lula Cardoso Ayres teceu o seguinte comentário: (…) Depois de certo período mais sadio da Escola de Belas Artes, quando estavam Vicente do Rego Monteiro, Reinaldo Fonseca, modéstia a parte eu também estava nesse meio, então vieram esses rapazes que hoje são grandes pintores. Não que fossem nossos alunos. Nós conversávamos, trocávamos idéias e criou-se uma mentalidade de seriedade na pintura. Os exemplos estão , como João Câmara (que chegou menino na Escola), Ismael Caldas, Fernando Lúcio e tantos outros”.

PRÊMIOS: 1986 – MENÇÃO HONROSA, NA I MOSTRA DE ARTE EM VITRINE DE RECIFE; 1989 – PRÊMIO PINTURA MURAL, NO SALÃO DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE PERNAMBUCO; 1991: MEDALHA DE OURO, NO SALÃO DE ARTE BRASIL, ALBUFEIRA (PORTUGAL).

Eliane Rodrigues

ELIANE DE ALBUQUERQUE RODRIGUES

Assina: ELIANE RODRIGUES 4 Recife, PE, 06/10/1941.

DESENHISTA, PINTORA, GRAVADORA, CENÓGRAFA E TAPECEIRA

 

                Descendente de uma família de artistas ilustres de Pernambuco, entre os quais Fernando Rodrigues, seu pai, (incentivador das artes no Recife), Augusto de A.Rodrigues, seu irmão, (dono de Galeria de Arte), Abelardo Rodrigues, seu tio, (colecionador de antiguidades e paisagista), Augusto Rodrigues, seu tio, (pintor, desenhista, jornalista, poeta e educador), Netinha Rodrigues, sua tia, (pintora e desenhista), entre tantos outros nomes de destaque.

                Seus primeiros estudos artísticos ocorreram na Escolinha de Arte do Recife, onde obteve medalhas de 1º e 2º lugar na Exposição Infantil realizada no Teatro Santa Isabel. Desde a sua infância o desenho ocupa um lugar de destaque na sua produção, mas ela dedica-se também a pintura e gravura. Foram seus mestres, entre outros, Washington França, (Escolinha de Arte do Recife), Burle Marx, Aloísio Magalhães, João Câmara e Janete Costa, (Instituto Joaquim Nabuco), Pierre Chalita e Lenira Regueira, (Escola de Belas Artes do Recife) e, Jomar Muniz de Britto e João Batista de Queiroz, (Galeria João Batista). A partir de 1997 Eliane passou a dividir seu tempo entre a pintura de seus quadros e dos tapetes personalizados. No ano seguinte obteve o Prêmio Pernambuco Design, no Salão 98, promovido pelo SENAI/PE. Além de sua pintura habitual, executou retratos de figuras de destaque em Pernambuco.

                O crítico Georges Racz, escreveu: “Eliane se expressa por uma linguagem na qual o símbolo assume importância fundamental procurando colocar dados mergulhados por baixo da imediata apreciação estética, um, mistério que revigora a percepção da obra, na medida em que seja capaz de oferecer novas facetas quando revista, renovadas interpretações na face-a-face do subconsciente de cada um” (…).

                Wellington Virgolino fez a seguinte crítica: “Eliane marca outros pontos a seu favor: não tem ‘ismos’ no seu papo, e a beleza para ela é essencial. E não ter medo, recear parecer cafona ao fazer rostinhos bonitinhos, de pintar com um colorido bem vivo e alegre, numa época em que a moda ‚ de aleijões ou figuras retorcidas e propositadamente medonhas, é um ato de coragem de saber quem, de ver com os próprios olhos. Parabéns Eliane Rodrigues! Gostaria que permitisse a todos que virem seus quadros, uma estada de algum tempo, ou todo o tempo, no mundo bonito e mágico que você criou”.

                O sociólogo Gilberto Freyre, assim se expressou: (…) “confessando admirar mais seus desenhos que sua pintura, por neles me parecer se revelar, de modo incisivo, uma originalidade de concepções e de execução que me encanta“.

PRODUÇÃO GRÁFICA: & CAPA DO LIVROPROGRAMA MATERNO INFANTIL“, INPS, PE.(1976) & CARTÃO DE NATAL, “SÃO FRANCISCO DE ASSIS” (1981) & DESTILARIA ALVORADA, CABO, PE.(1983/4) & CAPA DO LIVRODONA LILI DO GRÃO PARÁ” DE FLÁVIO VALENÇA, PE (2000) & ILUSTRAÇÃO DO LIVRO “MINH’ALMA EM VERSO”, DE IRENALDA CELANE, EDITORA JB, JOÃO PESSOA (PB).

CENÁRIOS: PARA O TAPEHOMENAGEM A RECIFE”, FEITO PELA LUNI PRODUÇÕES PARA REDE GLOBO 4 PARA O TAPECIDADANIA” DA SECRETARIA DA JUSTIÇA, RECIFE (PE).

ACERVO: CABANGA IATE CLUBE, (PAINEL – 500 ANOS DO DESCOBRIMENTO), RECIFE, (PE) 4 CLUBE DE CAMPO 7 CASUARINAS, ALDEIA, (PE) 4 ESCOLINHA DE ARTE DO RECIFE, RECIFE, (PE) 4 CELPE-COMPANHIA DE ELETRICIDADE DE PERNAMBUCO, RECIFE, (PE) 4 IGREJA SÃO JOÃO BAPTISTA, (PINTURAS DA VIA SACRA), MARIA FARINHA, PAULISTA, (PE) 4 IGREJA N.SENHORA DE BOA VIAGEM, RECIFE (PE).

Dakir Parreiras

DAKIR PARREIRAS

Assina: Dakir Parreiras – Niterói, RJ, 1894 – Rio de Janeiro, RJ, 1967.

PINTOR.

 

SÍNTESE

Filho do grande mestre Antonio Parreiras, de quem recebeu os primeiros ensinamentos, completou seus estudos em Paris com Jean Paul Laurens, Biloul, Royer e Baschet.

Dakir é de tendência impressionista e, sob influência do academismo eclético é paisagista e pintor de história. Entre os anos de 1911 e 1949 foi agraciado com inúmeras premiações nas exposições que participou. Importantes obras de sua autoria fazem parte dos acervos do Museu Antonio Parreiras, Palácio do Governo de Porto Alegre, Florianópolis e Pernambuco e, ainda, do Teatro Municipal de Campinas e de Ribeirão Preto.

Em Artistas Pintores do Brasil (1942), Teodoro Braga indica bibliografia a seu respeito.

Ascal

ÁTILA DA SILVA CALVET

Assina: ASCAL 4 Fortaleza, CE, 20/06/1943.

PINTOR, GRAVADOR E ESCULTOR.

 

Apesar de cearense de Fortaleza, suas incursões pelo Recife são tão constantes que se integrou na nossa cidade. Grande parte de sua produção faz parte dos acervos de pernambucanos, sem contar com obras que estão em várias partes do mundo, como; França, Alemanha, Japão, Estados Unidos, Portugal e Espanha. Sua pintura denota uma fatura pessoal, caracterizada através da textura e do cromatismo bem peculiar. Sua escultura se apresenta geralmente em formas geometrizadas, através de metais, pedras, madeiras e resinas, representadas por configurações absolutamente criativas e inusitadas. Trabalhos desse porte fazem parte de diversos logradouros de sua cidade natal.

Paulo Henrique Saraiva Leão escreveu: (…) “O cometimento artístico será compreensível, agradável ou não, por não depender da obra de arte em si, mas dos conceitos e preconceitos do observador. Em arte é belo todo produto que atua emocionalmente no espectador, e muitas vezes irrelevante a representação objetiva, mas fundamental a significação formal. O grande bardo inglês do Romantismo oitocentista, John Keats (1795-1821) (`a beleza é a verdade, a verdade é beleza´) também disse: `uma cousa bela é uma alegria para sempre´. A beleza é realmente inefável.”

“Assim, bela é a pintura pluridimensional de Ascal, o artista resistente às kodakianas tentações do fácil. Para ele a tela é um crisol, uma retorta, e o produto final emana de um cadinho de deslumbramentos gerados pela interação plástica dos seus materiais. Aqui arte é criação, e do interlúdio entre a imagem e a realidade envolve o objeto correlato, prêt-a-porter, para ser consumido com os olhos e transubstanciado em emoção, resultando sua contemplação em experiência sensorial. `L’art pour l’art´, e não arte útil, arte boa, fútil ou má, arte inútil. A arte não tem função utilitária! Arte é ou não é. Ponto.”

“Sua arte, do início impressionista ao expressionismo atual resulta do sopro inovador que lhe imprime. A pintura aqui é consensual, e mesmo a tela é prelibada, como o agricultor amanhã ara sua terra para semear. Inexistem concessões aos cânones, aos estereótipos. Arte, ascaliana, é liberdade, inconformação, é descoberta. Não o descobrimento serendipitoso, fortuito, não o sinal feliz para a nau sem rumo, mas o achado perseguido, conspícuo, responsável, numa espontaneidade vigiada, concisa, despreocupada de escolas, mas com espírito universal.”

“Observa-se em Ascal a extraordinarização do ordinário, a caleidoscópica eternização do dia-a-dia. Não satisfeito apenas com o desenhar e pintar formas, Ascal passou a desvendá-las com as mãos, amalgamá-las com transpiração, materializando suas imagens pictóricas. Sua escultura é uma pintura sem caixilho, alada. É o gesto em liberdade. E a busca do cinzel é a mesma do pincel: a fixação da emoção, do instante real, ou da realidade onírica, gaivotas capturadas antes do vôo. Mas, antes que se ponha o sol, voltemos aos / nos seus barcos, naus que não ancoram nas suas dunas, pois sempre em demanda do infinito, mesmo quando em repouso postas. Se, como quer Dorival Caymmi, ´é doce morrer no mar`, dulcíssimo será morrer nos barcos… de Ascal.”

Milton Dias registrou: (…) “Onde foi que ASCAL aprendeu estes verdes, onde foi que descobriu estes amarelos tão pessoais, tão diferentes dos anteriores, onde foi buscar este azul antigo da linha do horizonte, e este colorido suave das casas humildes que se encolhem, discretas, para deixar bem ressaltados os botes do primeiro plano? A convivência do pintor com o seu tema o conduz a uma intimidade maior e o leva a descobrir e a valorizar detalhes: um pedaço de canoa lhe oferece elementos para uma composição de surpreendente grandeza na sua economia de linhas que as cores suprem vigorosamente. De repente descubro dois pequenos barcos num abandono de sonho, como se tivessem perdido seu ânimo viajeiro e brincassem gozando os ócios da feliz aposentadoria. Tudo tão iluminado de sugestão, tudo tão tranqüilo, tão poético, tão lírico tão bonito mesmo, que dá vontade de embarcar num deles, à procura das famosas ilhas anônimas do poeta, que as geografias nunca registraram.”

 

Álvaro Amorim

ÁLVARO AUGUSTO VIEIRA DO AMORIM

Assina: ÁLVARO AMORIM n BELÉM, PA, 11/11/1888 – (?).

PINTOR E ESCULTOR

                   Na qualidade de pintor, estudou com Telles Júnior e dedicou-se de modo especial a aquarelas. Ativo no Recife foi um dos que ajudou a fundar a Escola de Belas Artes de Pernambuco (1931), integrando, posteriormente, seu quadro de professores. Foi ainda professor do Lyceu de Artes e Ofícios de Pernambuco, da Escola Técnica Profissional Masculina, da Escola de Aperfeiçoamento e do Ginásio Vera-Cruz. Ocupou o cargo de assistente técnico da Diretoria do Teatro Santa Isabel. Realizou também trabalhos de cenografia. Foi Catedrático com tese sobre Natureza Morta. Foi premiado com Medalhas de Prata e de Bronze, em duas exposições Municipais. No V Salão Paraense de Belas Artes, em Belém, (1945), apresentou obras de pintura e escultura. Na Pinacoteca do Estado de Pernambuco, encontram-se várias de suas obras, merecendo destaque a que tem por título “Solar de Megaipe”. Manteve junto com Mário Nunes e Balthazar da Câmara um Atelier na rua 1ºde Março, em Recife, onde em 29 de março de 1932, decidem junto com outros, fundar uma escola onde a juventude encontrasse ambiente apropriado ao estudo das Belas Artes. Dessa forma, nascida de um impulso generoso que nada deteve, vivificada pela determinação de tirar do nada uma instituição desta ordem, menos de cinco meses de trabalho preparatório bastaram para que em 20 de agosto de 1932, fosse instalada solenemente a Escola de Belas Artes de Pernambuco e começassem a funcionar os cursos de Arquitetura, de Pintura e de Escultura.

                   Segundo Lucilo Varejão “sua tendência é para fixar ruínas e, nesse gênero, ha coisas suas do Forte do Buraco, Cruz do Patrão, Megaipe, capazes de emparelhar com as boas criações – dos mestres da especialidade”.

Reynaldo

REYNALDO DE AQUINO FONSECA

Assina: REYNALDO – Recife, PE, 31/01/1925.

PINTOR, DESENHISTA, GRAVADOR E PROFESSOR.

                Ainda muito jovem, freqüentou a Escola de Belas Artes do Recife, primeiramente como aluno livre, fazendo depois o curso de professorado de desenho, chegando a Professor Catedrático da Escola de Artes da Universidade Federal de Pernambuco, na categoria de Desenho Artístico.

                Em 1943, realiza sua primeira individual de pintura na cidade do Recife. No ano seguinte, fixa-se por seis meses no Rio de Janeiro, onde estuda com Cândido Portinari, participando do Salão Nacional com um quadro à óleo.

Em 1948, participou da fundação da Sociedade de Arte Moderna do Recife, viajando em seguida para a Europa, onde pesquisa sobre tendências, cores e formas de pintura.  No ano seguinte, no seu retorno, passou três anos no Rio de Janeiro, onde fez o Curso Gravura em Metal no Liceu de Artes e Ofícios, tendo por mestre Henrique Oswald. Entre 1949/1950, expõe trabalhos de gravura e desenho no Salão Nacional, obtendo medalhas de bronze, nas sessões de pintura, desenho e gravura, respectivamente.

                Em 1952, volta ao Recife, assumindo na Escola de Belas Artes a função de professor catedrático de Desenho Artístico e freqüenta o Ateliê Coletivo fundado por Abelardo da Hora. Em 1954 e 1956, ilustra dos livros de Edilberto Coutinho. Recebe em 1956 o Primeiro Prêmio de Pintura no Salão do Museu do Estado de Pernambuco. Em 1967, participa com gravura em madeira da IX Bienal de São Paulo, e em 1969 retorna ao Rio de Janeiro e expõe na Galeria Bonino, firmando-se desde então como um dos artistas mais fascinantes da nova pintura brasileira, no conceito da crítica e do público. Em 1973, apresenta seus trabalhos na mostra Panorama de Arte Atual Brasileira. Em 1974, retrata o general Abreu e Lima num trabalho encomendado pelo governo, para ser colocado no “Monumento dos Próceres da Independência”, em Caracas/Venezuela. Em 1980, ilustra um livro de João Cabral de Mello Neto.

O ápice do seu sucesso veio com o contrato de exclusividade firmado com a Galeria Ipanema, passando a expor alternadamente entre o Rio e São Paulo.

                Reynaldo disse a respeito da atmosfera dos seus trabalhos, em resposta ao questionário incluído no livro A Criação Plástica em Questão, (Editora Vozes): “Para conseguir a atmosfera de mistério e nostalgia que pretendo dar aos meus quadros, uso com freqüência, como assunto, velhas fotografias e gravuras. Tecnicamente parto do antigo (por encontrar nele os elementos necessários ao que quero expressar) tratando de dar uma construção pessoal, portanto atual”.

                O crítico Walmir Ayala escreveu: “Uma liberdade inconsútil e secreta, que repudia a qualquer conchavo para fundar-se no exercício perigoso da beleza. A esta categoria pertence o pintor pernambucano Reynaldo Fonseca, que especula o divino equilíbrio, numa linha de pintura francamente abeberada na vertente da renascença e na configuração dos mestres flamengos. Personagens, perspectivas, objetos, gestos, se sucedem para criar uma nítida versão de mundo – que se aliena na circunstância, na medida em que compreende a grandeza de fuga maior: a do milagre, da levitação, da faina familiar, do supra-real, o descanso dos gatos, uma dança maliciosa da demonologia enraizada nas coisas que passam, e se transformam”.

                Roberto Pontual fez a seguinte crítica: (…) ”Reynaldo recupera o passado da existência humana e da própria pintura; com o domínio técnico que se lhe reconhece e a parcela de ironia na insistência de uma assinatura a modo remoto, ele mergulhou, a semelhança do norte-americano Grant Wood, nas raízes setoriais de grande vertente da pintura ocidental nos últimos séculos. No seu paciente retorno irônico, Reynaldo tem se valído de pintores de linhagem e épocas diversas, embora aproximadas por uma mesma atmosfera a meio caminho entre o real fluente e o real que um instante pôs em suspenso: Vermeer, Frans Hals, Velazquez, Zurbaran, Magritte, Hopper, Balthus. Se na sua pintura percebemos abandono progressivo da ambiência nordestina de origem, notamos também, na que ‚ mais recente, a substituição de certo envolvimento balthusiano fundamental pela nitidez das coisas intactamente deslocadas de sua mornidão cotidiana, no sentido do súbito inusitado que nos conduz até Magritte. Há uma levitação, oclusa ou clara, de objetos límpidos – precisamente os mesmos de nosso contato diário, porém sob novas áreas de luz inesperadas, no centro de uma membrana que pulsa em suspensão fotográfica”.

                Ariano Suassuna, afirmou: “O mundo de Reynaldo Fonseca é fechado, mas, por isso mesmo, povoado de sonhos e de mitos… é um mundo oblíquo e dissimulado o desse pintor, que é bastante sábio e refinado para esmaltar sua cor em transparências que parece ter herdado dos homens mais ilustres da tradição renascentista, ou pré-renascentista e, ao mesmo tempo, bastante primitivo para se deslumbrar com isto, como qualquer homem do povo que se extasia com o bem pintado”.

                José Roberto Teixeira Leite registrou: (…) “Reynaldo Fonseca mantém-se deliberadamente apartado das correntes que buscam renovar a arte brasileira ou contribuir com qualquer inovação estilística para o seu desenvolvimento. Dotado de boa técnica, fazendo uso de sólido desenho e de colorido suave e sensível, consegue por vezes incluir em seus personagens e objetos alguma coisa de inefável, certa nostálgica carga de poesia e silêncio, que em seus mais frágeis momentos roça o piegas, mas nos melhores adquire conotação transcendental”.

 

Pigot

JEAN-MARC PIGOT

Assina: PIGOT 4 Paris, FRANÇA, 31/12/1957.

PINTOR E DESENHISTA

                Aos sete anos de idade Pigot se iniciou no desenho e pintura participando em 1987 de sua primeira exposição, no Grand Palais, em Paris, após rigorosa seleção dos artistas expositores. Após este acontecimento, por várias vezes expôs no Salon des Indépendents e Salon D’automne. Estudou Ciências Econômicas na Sorbonne. Em 1983/84, de passagem pelo Brasil, trabalha como cenógrafo no Club Mediterranée, em Itaparica, Bahia. Entre 1984 e 94, pintou inúmeros painéis em “Trompe-L’Oeil” na França, Itália, USA e Arábia Saudita.

                Em 1994, passa a residir no Brasil, fixando residência no Recife. O folclore e as paisagens urbanas e do campo o impressionam, levando-o a reproduzi-las pictoricamente com o cromatismo próprio dessa região. Sua pintura reflete um desenho seguro através de um estilo muito próprio que identifica de imediato o autor.

                Prof. Ailton Lima, (Conselheiro do Centro de Estudos Estéticos Brasileiro), fez-lhe a seguinte crítica: …”Dentro de uma proposta básica como documentador realista ele consegue manipular com extrema habilidade um volume enorme de dados informativos em composições de grande beleza plástica. Suas soluções traduzem um refinamento característico daqueles artistas que não se contentam em ocupar apenas as dimensões físicas do quadro. Extrapolam as dimensões reais do mesmo e vão muito além, pois envolvem um complexo filosófico. São poesias que traduzem exatamente instantes de vida”.

                Fernando Lúcio, (Professor de Artes na Universidade Federal), fez a seguinte apresentação: (…) ”Pigot desenvolveu seu trabalho em Paris, cidade onde nasceu, e tem uma bagagem técnica bastante ampla, mistura do naturalismo dos mestres clássicos, mas com dominante impressionismo manifestado nas suas pinceladas decididas e coloridas lembrando Claude Monet, Degas, Gauguin e tantos outros. O seu trabalho nos estimula ao imensurável prazer de “ver uma obra de arte” e ao mesmo tempo nos incita a memória de uma herança cultural”.

Maria Carmen

MARIA CARMEN DE QUEIROZ BASTOS

Assina: MARIA CARMEN 4 Recife, PE, 18/03/1935.

PINTORA, DESENHISTA e ESCULTORA.

                Apesar de dedicar-se inicialmente à escultura, é no desenho e na pintura que Maria Carmen descobre, em tempos recentes, o meio expressivo mais funcional e fecundo.  Nasce artista, como diz a própria, não se descuidando em aprimorar o seu talento através de grandes mestres. Participa de inúmeras exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, sendo agraciada com importantes premiações.

                Em 1959, no Rio de Janeiro, estuda escultura com Humberto Cozzo e em 1962, de volta ao Recife, faz esculturas no Ateliê de Bibiano Silva, freqüentando em seguida o MCP/Movimento da Cultura Popular, estudando desenho com Abelardo da Hora, Wellington Virgolino e José Cláudio da Silva. Ainda em 1962, lhe são conferidos dois primeiros prêmios (escultura e desenho), pelo Museu do Estado de Pernambuco, no XXI Salão de Pintura.  Realiza ainda, sua primeira exposição individual de desenhos e esculturas na Galeria de Arte do Recife e participa da exposição II Panorâmica de Artes Plásticas Pernambucanas, no Clube Internacional, promovida por Fernando Rodrigues, Ladjane Bandeira e Ivan Carneiro.

                Em 1963, ensina pintura em tecidos no MCP e participa da exposição “Civilização do Nordeste”, no Solar do Unhão, em Salvador.

                Em 1964, a convite de Pietro M. Bardi realiza uma individual de desenho no MASP. Convidada por Walter Zanini, diretor do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, para participar do movimento internacional PHASES, com sede em Paris.

                Em 1965, participa de várias exposições coletivas no Brasil e no exterior e de uma individual na Galeria Bonino, no Rio de Janeiro.  Toma também parte na última exposição coletiva da Galeria da Ribeira, que encerra suas atividades.

                Em 1966, participa do movimento para a criação do Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, Trabalha no seu Ateliê em Recife e no Ateliê + 10, em Olinda.

                Em 1967, realiza no Museu de Arte Contemporânea da USP, a mostra “Oficina Pernambucana”.

                Em 1968, há uma mudança radical na linha do seu desenho. Neste mesmo ano, ilustra o livro “Casa Grande e Senzala” (II Edição), de Gilberto Freyre e participa de várias exposições no exterior, além de Fortaleza/CE e Recife/PE, e obtém o Prêmio de Aquisição do I Salão de Arte Moderna de Santos/SP.

                Em 1969, Em Paris, faz o primeiro contato pessoal com Edouard Jaguer, renovando os desenhos das exposições itinerantes do grupo PHASES. Recebe prêmio no Salão do Estado, em Fortaleza, Ceará.

                Em 1972, trabalha na fábrica de Tecidos CIP, em Camaragibe, como desenhista, padronista e colorista, permanecendo até 1975. Posteriormente, desempenha as mesmas funções na Fábrica Paulista (Aurora) e Fábrica Capibaribe, havendo mudanças no curso do seu trabalho, intensificando-se na pintura, com tendência expressionista.

                Em 1973, participa da inauguração da Galeria Nega Fulô, em Recife.

                Em 1976, Viaja pela Europa e Oriente. De volta ao Brasil, firma contrato de exclusividade com Renato Magalhães Gouvêa – Escritório de Arte (São Paulo) e participa da inauguração da Galeria Gatsby de Arte, em Recife.

                Em 1977, realiza individual na Gatsby Arte, em Recife/PE.

                Em 1978, participa de uma mostra coletiva na Gatsby em Recife, e em São Paulo, realiza sua primeira individual. Viaja ainda para o Rio de Janeiro, Porto Alegre, Buenos Ayres e Bariloche. No Paço das Artes, em São Paulo, expõe o quadro “O Grande Baile”.

                Em 1979, Maria Carmen realiza uma individual na Galeria Artespaço.

                Em 1981, participa de algumas coletivas em São Paulo e inicia o seu trabalho em litogravura na Oficina Guaianases de Gravura, em Olinda.

                Em 1985, participa de várias exposições, entre as quais a individual de desenho na Galeria Vicente do Rego Monteiro do Instituto Joaquim Nabuco.

                Em 1986, Volta a morar em Olinda, realizando uma individual na Galeria Lautréamont.

                Em 1988, expõe individualmente no Gabinete de Arte Brasileira, em Recife.

                Em 1989, lhe é conferida uma sala especial no Salão de Arte Contemporânea de Pernambuco.

                Em 1991, participa da exposição “Pernambucanos”, na Galeria Metropolitana de Arte Aloísio Magalhães, no Recife. Viaja em seguida à Europa. Na volta, executa 25 pinturas para o Hotel Sheraton Petribú; viaja em seguida para os Estados Unidos. Em seguida, participa no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, da mostra “O que faz você, geração 60?” – Jovem Arte Contemporânea revisitada.

                Em 1992, participa da exposição “Fernando de Noronha – 3 Visões”, no MAC-PE. Realiza uma individual no Espaço Cultural Pallon.

                Em 1998, é agraciada com o Prêmio AESO com o diploma pela sua contribuição no processo de enriquecimento da cultura pernambucana, Olinda (PE).

                O crítico Roberto Pontual publicou: “No desenho, a agilidade e a minúcia tornaram-se desde logo marcas características, amparadas numa tendência irrefreável de conduzir ao fantástico, embora ela própria classifique seus desenhos como naturalistas, intermediários entre a natureza e a arte (‘Tudo o que faço é baseado na natureza. Um dos meus temas apaixonantes é o Agreste, seco e árido; ele não é só um convite para desenhar, é o próprio desenho’). De qualquer modo, o trabalho de Maria Carmen tem pouco a pouco intensificado a propensão para o surrealismo ou o realismo mágico, ao mesmo tempo em que seus desenhos chegam a aproximar-se, quando vistos pouco mais à distância, de uma abstração com formas fantásticas, viscerais, diluidoras e redimensionadoras da figura. A minúcia chegou a ponto, em certa fase, de construir verdadeiras cidades de mínima e múltipla miniaturização, ou cartas caligráficas de textos quase microscópicos, em alinhamentos que sugeriam puro desenho, e não símbolos verbais. O traço ágil e a fantasia, que são duas formas de uma mesma vontade interior de gesto, continuam presentes nos desenhos mais tranqüilos, menos orgânicos, em torno de temas populares do Nordeste e da Bahia”.

ACERVO: MUSEU DO ESTADO DE PERNAMBUCO 4 MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO 4 MUSEU DE ARTE MODERNA DE SÃO PAULO 4 MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE SÃO PAULO 4 EMBAIXADA DO BRASIL EM ROMA 4 INSTITUTO JOAQUIM NABUCO DE PESQUISAS SOCIAIS 4 GALERIA METROPOLITANA DE ARTE DO RECIFE 4 COLEÇÃO EDOUARD JAGUER, – PARIS 4 COLEÇÃO ABELARDO RODRIGUES – RECIFE 4 MUSEU DE ARTE MODERNA DE STRASBOURG 4 MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE PERNAMBUCO 4 ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS 4 HOTEL SHERATON PETRIBÚ DE PERNAMBUCO.

ILUSTRAÇÕES: 1968 – II VOLUME DA EDIÇÃO POPULAR DO LIVROCASA GRANDE E SENZALA“, DE GILBERTO FREYRE.

José Barbosa

JOSÉ BARBOSA DA SILVA

Assina: JOSÉ BARBOSA 4 Olinda, PE, 1948.

PINTOR, GRAVADOR, ENTALHADOR E ESCULTOR.

Em 1960, na oficina de seu pai, conhece o pintor Adão Pinheiro, quando passa a entalhar os seus desenhos. Em 1965, cria junto com Guita Charifker, Adão Pinheiro, João Câmara, Vicente do Rego Monteiro, João Câmara e outros artistas, o movimento de arte da Ribeira/Olinda. Organiza com Janete Costa o I Salão de Arte Popular em Natal/RN e, em 1966, participa da Oficina 154 em Olinda/PE. Nessa mesma época transfere-se para o Rio de Janeiro iniciando-se na gravura em metal na Escolinha de Arte do Brasil, com o Prof. Orlando Dasilva. No Rio, realiza decorações de entalhes para o Hotel Savoy.

Realizou inúmeras exposições individuais no Brasil e no exterior. Em 1972, transfere-se para a Europa, fixando-se em Colônia/Alemanha e posteriormente em Paris/França, montou atelier em Meudon com Roseline Granet, Jean Paul Riopelle e Frondrerie Berjac. Além de restaurar trabalhos (esculturas) de Miro, fez restauração em uma mansão em Conque, Rouergue. Em 1977, retorna ao Brasil e trabalha em nível de exclusividade com Renato Magalhães Gouveia – Escritório de Arte, tornando-se posteriormente seu representante.

Gil Vicente, no catálogo 30 Anos de Arte, registrou: “(…) Todas as referências e influências se fundem há anos em Zé Barbosa. A tradição do seu povo e a cultura pictórica do mundo atual derrete em seu fogo interior. Essas obras não é mais isso nem aquilo. Nem Jota Borges nem Chagall. Nem Seu Lourenço nem Picasso. Nem o branco nem o preto. Nem o índio. É apenas tudo isso: José Barbosa”.

José Roberto Teixeira Leite, em 1980, registrou em catálogo a seguinte crítica: “O nome de José Barbosa costumava ser relacionado até bem poucos anos atrás exclusivamente com um meio expressivo que ele, muito jovem ainda, sozinho conseguira consagrar no ‘Sul-Maravilha’: a talha nordestina, de extração popular. Lembro-me, por exemplo, de uma primeira exposição organizada no Rio de Janeiro, na finada Galeria Goeldi, em que o então garoto José Barbosa conseguiria impressionar críticos e arquitetos, artistas e colecionadores com seu talento forte, com sua originalidade: a talha, até então o patinho feio de nossas artes visuais, espécie de tourist art para americanos de gosto duvidável, tinha enfim seu representante maior, e através ele se conquistava foros de maioridade”.

“Passaram-se os anos, José Barbosa viajou e por muito tempo ninguém mais lhe viu os trabalhos. Reapareceria depois, retornando não sei de quais Alemanhas da vida, tendo acrescentando, à técnica primeira, outra nova, que desde logo soube manipular com extrema mestria: a aquarela, não a aquarela de transparências sutis e relações cromáticas e formais delicadas, mas uma aquarela rude e forte, cheirando à terra nordestina da qual nasceu, e de que se alimenta”. (…)

                                                                                                                                         

PRÊMIOS: 1964 – DECA, “Salão de Artistas Estreantes”, 1º PRÊMIO EM PINTURA, RECIFE (PE) 1965 – ESCOLA DE BELAS ARTES, PRÊMIO EM ESCULTURA, RIO DE JANEIRO (RJ) 1966 – MUSEU DE ARTE MODERNA, “Salão dos Transportes”, 1º PRÊMIO EM ESCULTURA, RIO DE JANEIRO (RJ) 1968 – BIENAL AMERICANA DE GRABADO, MENÇÃO HONROSA, SANTIAGO (CHILE) 1970 – X SALÃO NACIONAL DE ARTE MODERNA, ISENÇÃO DE JÚRI, RIO DE JANEIRO (RJ) 1973 – GRAND PALAIS, PRIX “BERNHEIN-JEUNE QUALITÉ DE LA VIE”, PARIS (FRANÇA) 1979 – MUSEU DO ESTADO, “XXXII Salão Oficial de Arte”, RECIFE (PE) 1985 – MUSEU DO ESTADO, “XXXIII Salão de Artes Plásticas”, RECIFE (PE).

ILUSTRAÇÕES: & POESIAS GALOISES, de Guel Arraes, PARIS/FRANÇA & POEMAS ARGELINOS, de Everardo Norões (Edições Pirata), RECIFE/PE & MÉMÓRIA DAS ÁGUAS, de Fernando Falcão, PARIS/FRANÇA & POEMAS DO AMOR VIRIL, de Paulo Azevedo Chaves (Editora Pool), RECIFE/PE & ALBUM OLINDA (Gravura em Metal), OLINDA/PE.

Guttmann Bicho

Guttmann Bicho, Galdino

Pintor. Petrópolis, RJ, 1888 – Rio de Janeiro, RJ, 1955.

 

Descendente de suíços. Passou toda a sua infância em Sergipe, retornando ao Rio na época de iniciar seus estudos de arte. Estudou no Liceu de Artes e Ofícios e em seguida na antiga Escola Nacional de Belas Artes, onde concluiu seus estudos tendo por mestres Belmiro de Almeida, Zeferino da Costa e Rodolfo Almoedo, estudando ao lado de Modestino Kanto, Pedro Bruno, Paulo Mazzuchelli e André Vento.

Influenciou ativamente a vida artística carioca, pois, com seu espírito inquieto e temperamental, foi um dos precursores das tendências modernas, pelo gosto nas pesquisas de luz dos impressionistas. Teve várias participações no Salão de Belas Artes do Rio de Janeiro, onde obteve Menção Honrosa de Segundo Grau, Pequena Medalha de Prata, Prêmio de Viagem à Europa, Pequena Medalha de Ouro e Prêmio de Viagem pelo Brasil. No Estado do Maranhão, absorveu o tema para suas últimas paisagens. No trabalho Panneau Decorativo, que o levou a Europa em 1921, utilizou a técnica pontilhista do impressionismo, empregando a mistura ótica das cores que pintores como Seraut e Sigmac utilizavam nos fins do século XIX.

Guttmann foi o pintor retratista de Agripino Grieco, Farias Brito, Belisário Pena,  e Catulo da Paixão Cearense, além de ter ilustrado a edição da História do Brasil, comemorativa do Centenário da Independência, escrita pelo historiador Rocha Pombo, ao lado de quem fez viagem de pesquisa pelo norte do país.

Dedicando-se também a cerâmica, introduziu em 1947, na Escola Técnica Nacional do Rio de Janeiro, o referido curso.

Algumas de suas obras fazem parte do acervo do Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, do Museu Antônio Parreiras, em Niterói/RJ e no Museu de Arte de Santa Catarina/PR.

 

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